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UERGS São Chico

Ano

2022

Localização

São Francisco de Paula, RS

Equipe

Filipe Battazza, Juliana Trama, Raoni Mariano, Mariana Alves e Victor Piza (autores)

Parceiros

Oficina AF (perspectivas eletrônicas) e Edatec (estrutura)

Área

3580m²

Cidade: a relação entre universidade e cidade

O terreno para a nova Unidade Hortênsias da UERGS usufrui de uma condição única na cidade de São Francisco de Paula. Sua posição entre a Igreja Matriz, a Praça Capitão Pedro Silva Chaves, o Anfiteatro Nossas Raízes e a principal via da cidade, a Avenida Júlio de Castilhos, cria uma oportunidade excepcional para abrigar uma universidade que visa formar para e pela cidadania, um convite para estar no cotidiano comum.

Estar: abrigo

O alto índice de precipitação e a grande variação climática diária somada à falta de espaços protegidos adequados para o encontro potencializam a vocação do terreno: a construção de um espaço propício para o estabelecimento de uma relação de reciprocidade entre instituição e comunidade a partir da necessidade de abrigo.

Consequentemente, surge a oportunidade de transcender o que se convencionou definir como o papel da universidade, a fim de destacar sua função de centro comunitário. Estes equipamentos são mais do que meros componentes programáticos: bibliotecas, cantinas, escolas, etc. São lugares de prestação de serviço para a população, que promovem a convivência como forma de produção cultural, acontecimentos que extrapolam os limites físicos da UERGS.

Movimento: território como agente pedagógico

A nova sede da UERGS busca se configurar como uma proposta de arquitetura contemporânea que contribua para a paisagem – de forma literal e abstrata – de São Chico. Todo e cada elemento foi organizado de forma a conferir ao corpo do edifício uma qualidade de vibração que ecoa para além de seus limites físicos. Tornando, assim, o espaço capaz de absorver os traços da vida humana, do seu uso diário e das imprevisibilidades futuras.

A rua como extensão do edifício

O desenho da Rua José Bonifácio parte da modulação de 0,60 x 0,60 m, mesma medida básica estabelecida para o mobiliário urbano e para o edifício da Universidade. O eixo estrutural de 10,20 m extravasa para o espaço externo e dá ritmo ao desenho de piso da rua. Dentro dessa demarcação, cria-se a possibilidade de ambiências com caráteres distintos: abrigar os acontecimentos da Universidade e da cidade em um espaço cívico e criar uma área de contemplação e proteção para a porção mais residencial da rua. Entre praça e edificações, a rua se organiza em três lógicas espaciais: permanência, esplanada e serviços, priorizando os espaços de estar à uma distância que permita maior troca visual com o edifício.

Dois térreos

O desejo pela criação de uma universidade que se relaciona com a paisagem circundante e consigo mesmo em igual intensidade pautou a organização do programa da nova Unidade Hortênsias da UERGS. A partir da leitura da situação geográfica notável de seu terreno, dois térreos foram definidos e articulados por uma grande escadaria. Escadas largas não são apenas passagem: são também espaços de permanência, arquibancadas, bancos.

O térreo - aquele assim definido sob a perspectiva da legislação, a face institucional da edificação - é o que se volta para a Rua José Bonifácio. O subsolo, concebido como térreo inferior, onde foram alocadas as atividades de cunho público, é o que se volta para a edificação que data dos anos 30 e que deve ser valorizada.

Vazios e espaços sem nome

Uma vez conectada ao tecido urbano através dos desenhos dos térreos, a prioridade passou a ser distribuir espaços multifuncionais ao longo dos três pavimentos em torno de um vazio central. Em cada pavimento, essa área sem uso definido estabelece vínculos únicos com a paisagem de modo a criar uma promenade que explora a geografia de São Francisco de Paula. Ao mesmo tempo, as dinâmicas internas definem o volume da edificação e expõem o caráter de relevância pública da universidade.

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